17.4.06

Soneto da batalha contra a flor

Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Haveria mais bela formosura?
Não encontro melhor gosto em você,
De me fazer ser menos eu, mais você.

Ao me encantar, tento lhe resistir
De alguma forma ser mim mesmo sem ti
Diante do encanto mais belo,
Insisto em lutar com meu pranto.

Luto para solitário estar
Buscando, sempre pra não achar
Mas em ti já não sou mais sozinho.

Então, contra ti oh! flor mais bela,
Posso dizer do vão esforço que fiz:
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!

16.4.06

Innocentia

O vento soprando na direção que lhe convém, a folhas seguindo felizes, de forma quase forçada, porém sem deixar escapar-lhes a liberdade de não sincronia nos movimentos. Árvores contracenando junto com toda a natureza, que se dispõe à trabalhar. O outono está perfeito. Ouço passos nas folhas secas. Tem rosto, contorno e cheiro. O cabelo acompanha o movimento das folhas. A personalidade que extravasa ao caminhar contra o vento. Ou seria somente para ainda mais me encantar? Penso que o que é belo, é belo e pronto. Não tem culpa por estar acontecendo assim. A maestria no caminhar, no completar de cada passo, como num desfile. O olhar distraído, indica um ar de inocência. Me pergunto, poderia o encantador ser também um encantado? O caminho é estreito, o encontro é inevitável. Lanço uma palavra: "Olá!". Recebo como resposta, um cumprimento à mesma altura. O encontro acabara. À minha frente o vento se aquietou, talvez nunca tenha soprado, as folhas se aquietaram, talvez nunca tenham se movido. E de tudo isso, algo aprendi: Uma vez que a inocência tenha passado, ela nunca voltará.

"A vida é arte dos encontros embora hajam tantos desencontros..."