1.7.12

Conspiração do Beijo


Alguns lugares escondem sua beleza daqueles que não estão em sintonia. Talvez daí tenha nascido o conceito de "a pessoa certa".  É a pessoa que mais tem sintonia com você. Assim, talvez, possam juntos comover o universo e desfrutar de uma conspiração benevolente. Quando isso acontece, as lembranças começam a nascer na sua frente.

De repente, a estrada se alongou. Ninguém passava. A lua nos deu licença e se retirou, para que as estrelas, através de desenhos simples, pudessem nos mostrar o caminho.
A temperatura se acalma, sem fúria nem frieza. Nos agrada. O vento nos acaricia. Transita de um lado ao outro levando os cheiros, conduzindo as mãos, inquietas e acanhadas.
A umidade acalanta e suaviza o ardor dos corações, que pulsam, pulam, esperneiam. Nosso próprio corpo participa da conspiração. Aumenta sua sensibilidade. Cada toque traz êxtase e prazer.
A respiração entra no ritmo. Os olhos se procuram e quando se encontram, se percebem. O cérebro, intimidado, sai de cena. A boca se cala entreaberta. Os lábios saltam e aumentam.
Os pelos se erguem para que possam apreciar o que está por vir. Sutilmente os braços e pernas se movimentam e se aproximam da outra pessoa. Os olhos mais uma vez indicam o caminho, apontam para a boca, mas só quando a distância é correta. Os lábio se tocam. A língua se projeta até encontrar a outra língua. A pele se ajusta e conduz as sensações do toque, seguindo o caminho no corpo do outro. Sintonia.

Quem nunca viu o universo conspirar para que um beijo aconteça não me entenderá. É assim que acontece quando o universo conspira.

"Mas às vezes a demora por um beijo
  Só revela o maior desejo de amar"