16.4.06

Innocentia

O vento soprando na direção que lhe convém, a folhas seguindo felizes, de forma quase forçada, porém sem deixar escapar-lhes a liberdade de não sincronia nos movimentos. Árvores contracenando junto com toda a natureza, que se dispõe à trabalhar. O outono está perfeito. Ouço passos nas folhas secas. Tem rosto, contorno e cheiro. O cabelo acompanha o movimento das folhas. A personalidade que extravasa ao caminhar contra o vento. Ou seria somente para ainda mais me encantar? Penso que o que é belo, é belo e pronto. Não tem culpa por estar acontecendo assim. A maestria no caminhar, no completar de cada passo, como num desfile. O olhar distraído, indica um ar de inocência. Me pergunto, poderia o encantador ser também um encantado? O caminho é estreito, o encontro é inevitável. Lanço uma palavra: "Olá!". Recebo como resposta, um cumprimento à mesma altura. O encontro acabara. À minha frente o vento se aquietou, talvez nunca tenha soprado, as folhas se aquietaram, talvez nunca tenham se movido. E de tudo isso, algo aprendi: Uma vez que a inocência tenha passado, ela nunca voltará.

"A vida é arte dos encontros embora hajam tantos desencontros..."

1 comment:

Felipe said...

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Seria isso tão dificil assim de comentar? Ou seria esse um texto que meche muito com nossa história?